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Democracia

Solidão e uso de telas explicam afastamento de eleitores das urnas, aponta estudo do Datafolha

Pesquisa revela que 47% dos brasileiros sem laços comunitários deixam de votar ou votam raramente, segundo estudo do Datafolha.

Por Redação Diário Local

A solidão, a exaustão mental e a dependência digital explicam o afastamento de parte dos eleitores brasileiros do processo de votação, aponta o estudo "Termômetro do Bem Viver". A pesquisa, conduzida pelo Datafolha em parceria com a organização Avaaz, revela que a falta de laços comunitários está diretamente ligada à abstenção.

De acordo com o levantamento, 47% dos brasileiros classificados como "desvinculados" (aqueles com pouco ou nenhum laço com a comunidade) afirmaram ter deixado de votar ou votado com frequência rara. Entre esse grupo, 27% declararam não frequentar as urnas, indicando o abandono do processo eleitoral.

Em oposição, o nível de engajamento é significativamente maior entre eleitores com fortes vínculos sociais. O estudo aponta que 94% das pessoas com alto grau de conexão comunitária compareceram para votar nas últimas eleições.

Como o perfil do eleitor afeta a democracia?

O isolamento social também altera a percepção sobre o sistema de governo. Enquanto 79% dos eleitores "vinculados" consideram a democracia um valor inegociável, o índice cai para 30% entre os "desvinculados". Nesse grupo mais isolado, 25% admitem que poderiam abrir mão da democracia em favor de um governo que fosse alinhado aos seus valores individuais.

A juventude é a faixa etária que apresenta a maior ruptura de laços coletivos. Segundo os dados, 44% dos entrevistados entre 18 e 34 anos estão no grupo dos desvinculados. Já entre os eleitores com vínculos fortalecidos, 78,3% possuem 35 anos ou mais.

Impacto do uso de telas e ambiente urbano

A rotina digital foi apontada como um fator de distanciamento. Entre jovens de 18 a 24 anos, 24% afirmam passar a maior parte do tempo livre em redes sociais e dispositivos eletrônicos, o dobro do índice registrado entre adultos de 45 a 54 anos, que é de 12%.

Além das telas, o contato com a natureza também diminuiu entre os desvinculados. O estudo indica que 81% desse grupo deu notas baixas (de 0 a 4) para a frequência em áreas verdes na semana anterior à entrevista, citando a jornada urbana e a insegurança pública como obstáculos.

O relatório conclui que pautas práticas, como a regulação de plataformas digitais e mudanças na rotina de trabalho, podem ser caminhos para reaproximar o cidadão da política.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.