Obstáculos ao tratamento de saúde mental desafiam famílias e o sistema público de saúde
Embora o tema tenha ganhado espaço no debate público, custos elevados e pressão na rede pública dificultam o acesso ao cuidado especializado
Por Redação Diário Local
O avanço na compreensão social sobre transtornos mentais no Brasil convive com um paradoxo: o aumento das dificuldades para transformar diagnósticos em tratamento efetivo. Embora o estigma sobre temas como depressão, ansiedade e dependência química tenha diminuído, famílias enfrentam obstáculos para acessar o cuidado especializado.
Entre as principais barreiras citadas pelo psiquiatra Jorge Jaber estão os altos custos de internações em unidades particulares, a inadimplência que afasta pessoas dos planos de saúde e a pressão sobre a rede pública de atendimento devido à crescente demanda.
Mesmo para beneficiários de convênios médicos, a demora na autorização ou na indicação de unidades adequadas pode comprometer o tempo necessário para o tratamento de transtornos psiquiátricos graves.
Quais fatores agravam o cenário emocional?
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais em todo o mundo. No Brasil, esse quadro é influenciado por fatores como as consequências econômicas da pandemia e a hiperconexão, que reduz os períodos de descanso mental.
A expansão das apostas esportivas on-line também surge como um novo elemento de risco. O endividamento provocado por essas plataformas tem sido associado ao aumento de quadros de ansiedade, depressão, conflitos familiares e comportamentos compulsivos.
A dificuldade de acesso é ainda mais crítica em casos de dependência química. Segundo o psiquiatra, existe uma janela de oportunidade delicada em que o paciente aceita ajuda, e a falta de atendimento rápido pode levar à perda desse momento decisivo e à ocorrência de recaídas.
O impacto na saúde pública
A insuficiência de assistência médica para saúde emocional gera prejuízos que extrapolam o indivíduo. A falta de tratamento adequado impacta a produtividade no trabalho, provoca o rompimento de vínculos familiares, contribui para o abandono escolar e pode elevar índices de violência e suicídio.
Para o especialista, a discussão deve evoluir do combate ao preconceito para a garantia de acesso. Isso envolve o fortalecimento da rede pública, o aperfeiçoamento da atuação dos planos de saúde e a criação de novos modelos de financiamento para o setor.
