Diário Local
Saúde

Projeto de Lei propõe ampliar para duas folgas anuais direito de doação de sangue

Proposta altera a CLT para permitir que trabalhador falte ao serviço sem perda salarial por um dia a cada seis meses

Por Davy Albuquerque

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe ampliar para duas vezes ao ano o direito do trabalhador de se ausentar do serviço para doação de sangue. A proposta altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e permite que o empregado falte ao trabalho sem prejuízo salarial por um dia a cada seis meses, desde que a doação seja comprovada.

A medida, de autoria do deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), tem como objetivo incentivar a doação regular e garantir maior previsibilidade para os estoques de sangue, que são essenciais para o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o parlamentar, a ampliação do incentivo é uma iniciativa de baixo custo e alto impacto social. Ele argumenta que a doação voluntária depende diretamente da disponibilidade do doador e de condições favoráveis para seu deslocamento e recuperação.

A necessidade de maior adesão é reforçada por dados do Ministério da Saúde, que indica que o Brasil precisa de uma média de 5 mil bolsas de sangue por dia para atender a demanda nacional. Atualmente, os hemocentros enfrentam oscilações nos estoques, principalmente em períodos de férias escolares e feriados prolongados.

Dados oficiais mostram que cerca de 1,4% da população brasileira é doadora de sangue. Embora o número esteja dentro da margem de segurança da Organização Mundial da Saúde (OMS) — que recomenda que entre 1% e 3% da população seja doadora para garantir um sistema estável —, o objetivo é aumentar essa participação.

Como funciona a tramitação?

O Projeto de Lei 2520/26 deve passar pelas comissões de Trabalho e de Constituição e Justiça e de Cidadania. No entanto, devido à aprovação de urgência em junho, o texto pode ser votado diretamente no Plenário da Câmara, sem a necessidade de passar pelas comissões.

Para que o projeto se torne lei e a alteração na CLT seja efetivada, a proposta ainda precisa ser aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.