Vittorio Medioli surge como alternativa do PL para disputa ao governo de Minas Gerais
Empresário e ex-prefeito de Betim ganha força no PL após indecisão de Cleitinho Azevedo sobre candidatura ao Palácio Tiradentes
Por Davy Albuquerque
O Partido Liberal (PL) em Minas Gerais passou a considerar o empresário Vittorio Medioli como nome para a disputa ao governo do estado. A movimentação interna ocorre em meio à indefinição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre sua participação na corrida eleitoral.
O partido vinha articulando o apoio ao senador, que lidera as pesquisas, mas os sucessivos adiamentos na tomada de decisão do parlamentar geraram desgaste entre os filiados. Setores do PL, incluindo o presidente de honra Zé Santana, passaram a defender a candidatura de Medioli ao Palácio Tiradentes.
A indefinição causou uma reação no Republicanos, partido de Cleitinho Azevedo. O cenário indica que, caso o PL decida lançar uma candidatura própria, Cleitinho disputará o cargo de forma independente, sem servir de palanque para o grupo ligado ao presidencialista Flávio Bolsonaro (PL).
A definição final sobre os candidatos deve ocorrer durante as convenções partidárias, previstas para o período entre 20 de julho e 5 de agosto. O desfecho desse impasse deve reorganizar as alianças políticas para o governo mineiro.
Quem é Vittorio Medioli
Vittorio Medioli é empresário dos setores de logística e comunicação, além de ter histórico de atuação no Legislativo e no Executivo. Ele foi deputado federal entre os anos de 1991 e 2007 e exerceu o cargo de prefeito de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Em sua trajetória política municipal, Medioli foi eleito prefeito de Betim em 2016, conquistando mais de 61% dos votos. No pleito de 2020, ele obteve a reeleição com 76% do eleitorado municipal.
Na época de sua primeira eleição para a prefeitura, Medioli declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 352,5 milhões. Com esse valor, ele foi apontado como o prefeito mais rico do Brasil naquele ano, à frente de outros gestores da época.
O empresário possui trajetória acadêmica iniciada na Europa, tendo estudado direito na Universidade de Parma e filosofia na Universidade de Milão. Natural de Parma, no Norte da Itália, ele se mudou para o Brasil aos 25 anos de idade.
Medioli naturalizou-se brasileiro em 1981 e fundou a SADA Transportes e Armazenagens. A empresa deu origem ao Grupo SADA, que possui forte atuação nos segmentos de logística e transporte no país.
No campo partidário, o empresário filiou-se ao PSDB em 1988, onde permaneceu até 2005, período de seus mandatos na Câmara dos Deputados. Posteriormente, integrou o Partido Verde (PV), do qual saiu em 2009.
O político também é proprietário do jornal O Tempo, veículo de comunicação com atuação em Minas Gerais. Em 2022, Medioli repercutiu na mídia ao defender, em coluna escrita no jornal, uma proposta de separação entre as regiões brasileiras com base nos resultados das urnas.
Na política de Betim, Medioli conseguiu eleger seu sucessor, Heron Guimarães (União Brasil), em 2024. No entanto, os dois políticos romperam o vínculo político meses após o resultado das eleições municipais.
