PF encontra vídeo gravado dentro do Senado em celular de mulher condenada por ataques de janeiro
Imagens de Nailze Aparecida Ribeiro Silva dentro do plenário foram usadas pela PGR para ampliar denúncia por tentativa de golpe de Estado
Por Redação Diário Local
A Polícia Federal (PF) localizou vídeos gravados dentro do plenário do Senado no celular de Nailze Aparecida Ribeiro Silva. A mulher, que cumpre medida cautelar, é alvo de um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após ser condenada em julgamento virtual realizado entre 15 e 22 de maio deste ano.
As imagens foram encontradas durante uma perícia realizada pela PF em maio de 2024. Segundo os investigadores, o aparelho celular continha ao menos dois registros que foram encaminhados em grupos de mensagens do WhatsApp.
Em um dos vídeos, a mulher aparece no interior do plenário do Senado, posicionada próxima a assentos destinados aos senadores, com a câmera voltada para a Mesa. No segundo registro, ela aparece na área externa, próxima à rampa do Congresso Nacional, ao lado do espelho d'água.
Embora as gravações não mostrem atos de depredação, o conteúdo foi determinante para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) ampliasse a denúncia contra ela. Antes do relatório da PF, o órgão limitava a acusação aos crimes de incitação e associação criminosa, por não haver provas de sua participação nas invasões.
Com o novo material, a PGR concluiu que a conduta de Nailze avançou da incitação para a participação direta nas invasões aos prédios públicos. A denúncia foi expandida para incluir os crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Condenação e penas
A pena total de Nailze soma 12 anos e seis meses de reclusão e um ano e seis meses de detenção, além de 100 dias-multa. A decisão, que seguiu o voto do ministro Alexandre de Moraes, também fixou uma indenização mínima de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, valor que deverá ser pago de forma solidária com os demais condenados pelos ataques.
Em carta escrita à mão em dezembro de 2023, a mulher afirmou ter participado de uma manifestação pacífica e pediu misericórdia ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ela alegou que não praticou vandalismo e que retornou ao acampamento após sentir medo da confusão.
Atualmente, Nailze reside em São Bernardo do Campo (SP) e permanece em liberdade provisória, utilizando tornozeleira eletrônica. O mandado de prisão expedido pelo STF ainda não foi cumprido pela Polícia Federal.
