Serviço anti-spam da Vivo gera disputa entre operadoras e chega à Anatel
Empresas alegam que sistema de bloqueio da operadora interrompe ligações legítimas de órgãos públicos e saúde.
Por Redação Diário Local
O serviço de bloqueio de chamadas indesejadas da operadora Vivo gerou uma disputa entre empresas de telefonia no âmbito da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Operadoras e empresas de tecnologia alegam que o sistema anti-spam interrompe ligações legítimas, enquanto a operadora defende a proteção contra fraudes.
Ao menos sete empresas questionaram o bloqueio de milhares de chamadas. Entre as queixas apresentadas à agência reguladora estão relatos de que serviços de saúde, segurança e educação foram afetados pela interrupção de contatos que deveriam ser atendidos.
Quais são os principais casos de bloqueio relatados?
A empresa Adyl Telecom informou à Anatel que, desde o início de junho (2026), mais de 16 mil ligações foram interrompidas pelo sistema de anti-spam. A companhia alegou que hospitais e órgãos públicos foram entre os atingidos pelo mecanismo.
Outro caso registrado envolve a 3corp Technology, que presta serviços de telefonia para a prefeitura de Araçatuba. A empresa afirmou que mais de 800 números do município foram bloqueados pelo sistema, o que prejudicou a prestação de serviços públicos. Segundo a 3corp, após tratativas ocorridas em julho (2026), os números foram liberados e voltaram a funcionar.
A Agera Telecomunicações e a Net2Phone Brasil também manifestaram insatisfação. A Agera classificou a ferramenta como uma causa de "degradação artificial de tráfego", relatando reclamações de clientes sobre bloqueios em chamadas destinadas a números da Vivo. As empresas Ateky Internet e Ágil Telecom também alegam que o filtro impede chamadas legítimas vindas de suas redes.
O que diz a Vivo sobre o serviço?
A Vivo informou à Anatel que oferece a ferramenta de anti-spam desde novembro de 2024. A operadora explicou que o serviço identifica e bloqueia chamadas massivas e fraudulentas que utilizam números adulterados para ocultar a identidade do emissor.
Segundo a companhia, o sistema funciona em dois níveis: analisa se a chamada é autenticada e verifica o perfil do número de origem. A operadora afirmou que não bloqueia chamadas que seguem as regras do sistema e da tecnologia internacional STIR/SHAKEN, utilizada para verificar a autenticidade do número.
Em nota, a Vivo alegou que apenas empresas que realizam chamadas massivas e sem identificação são bloqueadas. A empresa também afirmou estar trabalhando para combater o uso de números falsos recebidos via interconexão de outras operadoras.
Como a Anatel está atuando?
A Anatel informou que abriu espaço para a defesa da Vivo e está analisando os materiais apresentados pelas empresas reclamantes. O objetivo da agência é buscar um equilíbrio setorial e garantir o bem-estar do consumidor, evitando que a proteção contra spam resulte na perda de chamadas importantes.
Para os usuários, a Vivo disponibilizou no seu site a possibilidade de solicitar análise de números afetados. Clientes que desejarem podem também desativar o serviço por meio do aplicativo da operadora.
