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Economia

Nobel de Economia afirma que redução da jornada de trabalho pode aumentar produtividade

Economista Christopher Pissarides avalia que carga horária menor tende a elevar a produtividade e não deve impactar a inflação.

Por Davy Albuquerque

A redução da jornada de trabalho tende a aumentar a produtividade dos trabalhadores e não deve provocar impactos relevantes sobre a inflação, afirma o economista Christopher Pissarides, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2010.

Segundo o pesquisador, os países caminham para uma carga horária menor à medida que a renda e a produtividade crescem. No entanto, ele defende que essa transição ocorra com flexibilidade para atender às características de cada atividade econômica.

Pissarides pontua que não é possível afirmar de forma genérica que reduzir a jornada seja sempre positivo ou negativo, pois o resultado depende das condições de cada mercado e da forma como a mudança é implementada. Ele cita a França como exemplo, onde a redução da jornada foi absorvida pelo mercado de trabalho com mais facilidade do que se imaginava, apesar da resistência inicial.

Como a redução da jornada afeta a produtividade?

Para o economista, a experiência internacional mostra que a produtividade por hora pode crescer quando as pessoas trabalham menos tempo. “Mais do que possível, é provável que a produtividade aumente se você souber que tem menos horas para trabalhar”, afirma Pissarides.

O pesquisador ressalta, contudo, que a redução da carga horária não pode ser excessivamente rígida. Ele argumenta que a organização do trabalho deve preservar margem para negociações e adaptações conforme a realidade de cada segmento.

Setores como restaurantes, hotéis, transporte e turismo, por exemplo, possuem necessidades diferentes das atividades de escritório e exigem escalas próprias de funcionamento.

A jornada menor causa inflação?

Pissarides discorda da tese de que jornadas menores provocariam aceleração da inflação. Segundo ele, mudanças desse tipo podem gerar apenas ajustes pontuais de preços.

O economista explica que a inflação depende principalmente de fatores macroeconômicos, como política monetária e oscilações internacionais de custos, como o preço do petróleo. Para ele, cabe aos bancos centrais administrar esses movimentos por meio da política monetária.

Dessa forma, a redução da jornada, de forma isolada, não seria suficiente para provocar aumento relevante da inflação nem comprometer o crescimento econômico.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.