Despesas financeiras de varejistas variam de 1,3% a 23% da receita em 2026, diz estudo
Levantamento da Málaga & Associados mostra que impacto dos juros no varejo é desigual e depende do modelo de negócio de cada empresa.
Por Redação Diário Local
As despesas financeiras de 30 companhias de varejo e consumo da B3 variaram entre 1,3% e 23% da receita líquida em 2026, de acordo com o estudo “O preço da dívida no varejo brasileiro”, da Málaga & Associados. O levantamento mostra que, enquanto o grupo mais pressionado viu o custo financeiro saltar de uma média de 5,1% em 2018 para 12,3% em 2026, o grupo menos pressionado teve um avanço muito menor, de 1,6% para 3,1% no mesmo período.
O estudo ocorre em um momento de queda na taxa Selic, que atingiu 14% ao ano após redução de 0,25 ponto percentual em agosto. No entanto, a consultoria aponta que o impacto da taxa de juros é desigual devido às diferentes estruturas de capital e modelos de negócio das empresas.
Quem são as empresas mais pressionadas?
No topo da lista de empresas com maior comprometimento da receita por despesas financeiras está a CVC, que registrou 23% de despesa em 2026, contra 7,7% em 2018. Na sequência, aparecem a Cosan, com 20,5%, a Marisa, com 19%, a Smart Fit, com 18,6%, e o Grupo Toky, com 17,6%.
O Grupo Casas Bahia também apresenta pressão elevada, com despesas financeiras de 8,3% da receita em 2026, comparadas a 2,5% em 2018. Dados de balanços recentes trazem o contexto: a Marisa registrou prejuízo líquido de R$ 68,4 milhões no segundo trimestre de 2026, com resultado financeiro negativo de R$ 106 milhões no período.
O peso das dívidas versus margem operacional
A análise da Málaga & Associados confronta as despesas financeiras com a margem operacional. No grupo mais pressionado, a despesa financeira média de 12,3% em 2026 é mais que o dobro da margem de referência de 5,3% utilizada pelo estudo. Na CVC, a despesa de 23% da receita confronta uma margem operacional média de 4,9%.
Por outro lado, o grupo menos pressionado apresenta indicadores mais equilibrados. A Vibra Energia registrou 1,3% de despesa, seguida por Lojas Renner (1,6%) e Grupo Mateus (2,1%). Nestes casos, a margem operacional média ainda é suficiente para cobrir os custos financeiros.
Qual o impacto da Selic no varejo?
Embora a queda da Selic ajude a reduzir o custo do crédito, a consultoria destaca que o ambiente de juros não é o único fator. A diferença de desempenho entre as empresas reside na estrutura de capital herdada. Para as companhias em situações críticas, a redução dos juros não deve ser vista como uma solução definitiva.
Segundo a interpretação da Málaga & Associados, planos de recuperação não devem depender exclusivamente de um cenário de juros muito baixos. Alternativas como a venda de ativos, aporte de capital e renegociação de dívidas são apontadas como caminhos necessários para as empresas com maior peso financeiro.
