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Bangladesh

Fábricas de vestuário em Bangladesh reabrem após greve paralisar 529 unidades

Setor têxtil, que representa 80% das exportações do país, enfrenta incertezas após trabalhadores exigirem aumento salarial.

Por Redação Diário Local

As fábricas de vestuário em Bangladesh reabriram nesta segunda-feira (2), após o fechamento de 529 unidades e interrupções na produção ocorridas no domingo (1). Apesar da retomada, fabricantes manifestaram preocupação com a possibilidade de novos protestos motivados por reivindicações salariais.

O setor de confecções é um pilar da economia de Bangladesh, sendo responsável por mais de 80% das receitas de exportação do país e por cerca de 10% do produto interno bruto (PIB). O setor emprega aproximadamente 4 milhões de pessoas.

Os trabalhadores exigem o aumento do salário mínimo mensal de 12.500 takas para 30.000 takas (equivalente a US$ 243). A demanda reflete a pressão do aumento do custo de vida e da inflação persistente na região.

O que dizem os representantes do setor

A Associação de Fabricantes e Exportadores de Vestuário de Bangladesh (BGMEA) afirmou que as manifestações em diversas cidades afetaram quase 1 milhão de trabalhadores. O presidente da BGMEA, Mahmud Hasan Khan, informou que o governo formou uma comissão para analisar a demanda e espera que o processo de revisão prossiga.

Khan alertou que, caso novos protestos resultem em novos fechamentos, os fabricantes poderão utilizar a cláusula de 'sem trabalho, sem remuneração'. Representantes do setor têm uma reunião agendada com o ministro do Interior para tratar do tema.

Babul Akhter, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores da Indústria Têxtil e de Confecções de Bangladesh, defendeu que os proprietários de fábricas devem negociar melhores preços com compradores internacionais se não puderem arcar com os salários, para evitar a exploração dos trabalhadores.

Impactos na economia e competitividade

Proprietários de fábricas argumentam que o setor enfrenta custos elevados, instabilidade no mercado de energia e queda na demanda nos principais mercados de exportação. Bangladesh é o segundo maior exportador mundial de vestuário, atrás apenas da China.

Selim Raihan, professor de economia da Universidade de Daca, afirmou que as reivindicações são compreensíveis devido à inflação, mas alertou para o risco de um aumento salarial brusco. Segundo o professor, o reajuste poderia elevar os custos de produção e reduzir a competitividade de preços do país no mercado global.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.