Estudo do TST mostra que motoristas de aplicativo ganham menos por hora que outros trabalhadores
Levantamento do TST indica que renda de motoristas é pressionada por jornadas longas, falta de direitos e altos custos de manutenção.
Por Davy Albuquerque
O rendimento por hora dos motoristas de aplicativo é 8,3% menor do que o de trabalhadores que atuam fora das plataformas digitais, aponta estudo do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Embora o ganho médio mensal desses profissionais chegue a R$ 2.996, a renda é pressionada por jornadas de trabalho mais longas e custos elevados para a manutenção da atividade.
O valor recebido pelos motoristas está acima do salário mínimo federal, que é de R$ 1.621, mas permanece abaixo da renda média de brasileiros, que atingiu R$ 3.367 em 2025. O levantamento do TST mostra que a jornada média desses profissionais é de cerca de 44,8 horas semanais, enquanto a média geral dos trabalhadores é de 39,3 horas.
Por que a renda é pressionada?
Segundo o diagnóstico, o modelo de trabalho por aplicativos transfere grande parte dos riscos para o trabalhador. Os custos mensais para manter o serviço, que incluem combustível, manutenção do veículo, seguro, impostos, alimentação e internet, podem ultrapassar R$ 5.500.
A pesquisa indica que a falta de clareza sobre esses gastos pode gerar uma percepção equivocada sobre o faturamento real. Outro fator de pressão financeira é o endividamento: 92% dos trabalhadores de plataformas estão endividados, e alguns chegam a utilizar linhas de crédito oferecidas pelas próprias empresas para quitar dívidas.
Qual é a autonomia desses trabalhadores?
O estudo questiona o argumento de que o modelo garante liberdade e flexibilidade. Na prática, os motoristas têm pouca influência sobre as decisões do negócio. Mais de 90% dos profissionais afirmam não ter controle sobre o preço cobrado nas viagens, já que os aplicativos definem os valores e distribuem as chamadas.
O controle é exercido por meio de sistemas de avaliação, notas e rankings. Motoristas que recusam muitas viagens ou possuem avaliações baixas podem ter menos oportunidades de trabalho na plataforma, o que acaba influenciando diretamente a renda mensal.
Quais são os riscos sociais?
A falta de proteção trabalhista é outro ponto crítico destacado pelo TST. A maioria dos profissionais não possui acesso a direitos como 13º salário, férias, seguro-desemprego ou aposentadoria. O estudo aponta que mais de 60% dos trabalhadores de aplicativos não contribuem para a Previdência Social devido à instabilidade da renda.
Essa ausência de rede de proteção deixa o trabalhador vulnerável a imprevistos, como doenças, acidentes de trânsito ou problemas mecânicos, que podem interromper a geração de renda imediatamente. A discussão sobre o tema, segundo o TST, deve incluir medidas que garantam condições mínimas de remuneração e proteção para esses profissionais.
