Firjan se opõe à 'Taxa das Blusinhas' e alerta para risco de 109 mil demissões no Brasil
Federação afirma que Medida Provisória beneficia produtos importados e prejudica a indústria nacional e o emprego.
Por Redação Diário Local
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) registrou oposição à votação da Medida Provisória (MP) nº 1.357/2026, apelidada de “Taxa das Blusinhas”. A entidade afirma que a proposta, que deve ser deliberada pelo Congresso Nacional até a próxima terça-feira (8), pode prejudicar a indústria nacional e o mercado de trabalho.
A medida prevê a redução para zero do Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50. Para compras na faixa de US$ 50 a US$ 3.000, a alíquota cairia de 60% para 30%.
De acordo com a Firjan, a mudança aumenta a assimetria na concorrência entre produtos importados e nacionais. A Federação argumenta que a aprovação da MP impõe desvantagens competitivas para as empresas brasileiras que produzem, empregam e recolhem tributos no Brasil.
Risco para o emprego e impacto regional
A preocupação com o desemprego baseia-se em uma nota técnica da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O documento aponta que o fim da taxa pode colocar em risco 109 mil empregos no país, incluindo postos no Rio de Janeiro.
Um dos pontos de atenção é o Polo de Moda de Nova Friburgo. Segundo a CNI, a região responde por cerca de 35% da produção nacional de peças de lingerie, moda praia e fitness, sendo responsável pela geração de mais de 28 mil empregos diretos e indiretos.
A Firjan classificou como preocupante o fato de a mudança ser votada em um período curto de deliberação, dado o impacto esperado na arrecadação tributária e na produção nacional.
O que defende a indústria
Diante dos possíveis efeitos negativos, a Federação defende que a Medida Provisória não seja convertida em lei. A entidade solicita a manutenção do modelo atual de tributação: 20% de imposto para remessas de até US$ 50 e 60% para a faixa de US$ 50 a US$ 3.000.
O objetivo da manutenção das alíquotas é garantir a isonomia concorrencial e a competitividade da indústria brasileira frente ao mercado externo.
