XP vê cenário menos favorável para ações da Usiminas após forte alta no primeiro semestre
Analistas apontam tendência de demanda fraca e aumento de custos como fatores de risco para a lucratividade da companhia no terceiro trimestre.
Por Redação Diário Local
As ações da Usiminas (USIM5) devem enfrentar um cenário de maior moderação após a forte valorização registrada até maio deste ano, segundo análise da XP Investimentos. A instituição projeta que o período de crescimento acelerado da companhia já passou e que os próximos meses podem apresentar um desempenho menos construtivo para os investidores.
A valorização das ações da siderúrgica foi impulsionada pela queda nas importações e pelo impacto das medidas antidumping implementadas em fevereiro. No entanto, o mercado adotou uma postura mais moderada após o pico de preços observado por volta do mês de maio.
A XP Investimentos aponta que três fatores específicos podem atuar como ventos contrários para a lucratividade da companhia. Entre os riscos estão as tendências mais fracas de demanda, os benefícios limitados das novas iniciativas de defesa comercial e as pressões crescentes de custos.
Por que a demanda está desacelerando?
De acordo com os analistas, tanto o segmento de distribuição quanto o industrial têm demonstrado uma desaceleração na busca pelo produto. Embora o setor de veículos leves permaneça relativamente resiliente, o cenário de juros mais elevados tem pressionado os pedidos para baixo.
Outro ponto de atenção é o aumento recente das importações de HRC (um tipo de aço). Os especialistas acreditam que esse movimento pode mitigar o impacto das medidas antidumping sobre os preços domésticos, já que as importações representam cerca de 10% da demanda aparente.
O ceticismo do mercado também se reflete na expectativa para o curto prazo, com analistas projetando menor potencial de alta para os preços do aço no mercado interno.
Quais são as perspectivas de lucro?
Para o terceiro trimestre de 2026, a estimativa da XP para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) situa-se entre R$ 650 milhões e R$ 660 milhões. A projeção considera que custos mais elevados com placas devem ser o principal fator de pressão nas margens da empresa neste período.
A pressão de custos pode se estender ao quarto trimestre devido à alta nos preços do coque, observada desde abril deste ano. Essa dinâmica de custos de matérias-primas é um dos pontos centrais para a análise do desempenho futuro da siderúrgica.
A visão cautelosa é reforçada pelo Bradesco BBI, que indica que a dinâmica de lucros da companhia deve continuar perdendo força. O banco aponta a fraqueza no mercado de aços planos e a pressão nos custos como riscos para as projeções de mercado.
Diante do cenário, o Bradesco BBI mantém uma recomendação neutra para os papéis, classificando as estimativas de consenso atuais como muito otimistas e alertando para possíveis riscos de baixa nos resultados do próximo trimestre.
