Luis Felipe Salomão afirma que magistrados passaram de 'caixa-preta' a terem excesso de exposição
Presidente eleito do STJ afirmou que a transparência após a Constituição de 1988 mudou o tipo de crítica feita ao Judiciário
Por Redação Diário Local
O presidente eleito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão, afirmou nesta sexta-feira (31) que o perfil das críticas ao Judiciário mudou de direção desde a promulgação da Constituição de 1988. Segundo o ministro, se antes a principal queixa era a falta de transparência, atualmente o alvo é o excesso de exposição pública e o comportamento de magistrados fora dos processos.
A declaração foi feita durante sabatina no Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), realizado em São Paulo. Salomão, que deve tomar posse no comando do STJ no dia 19 de agosto (19), destacou que sua geração de juízes acompanhou a transição da magistratura para a sociedade da informação.
De acordo com o ministro, o processo de abertura institucional ocorrido após a redemocratização atendeu a uma cobrança legítima da sociedade. Ele relatou que, no período pós-Constituição, o Judiciário era frequentemente acusado de funcionar como uma "caixa-preta", onde os juízes não davam satisfações sobre os trâmites e decisões.
Contudo, Salomão avaliou que esse movimento de abertura gerou um efeito não planejado. Para ele, a crítica inverteu o sinal: o silêncio institucional deu lugar a reclamações sobre o comportamento expansivo de membros do Judiciário em esferas não jurídicas.
"O juiz fala demais, juiz fala fora dos autos, juiz dá palpite até em resultado de futebol", afirmou o ministro durante o evento. Ele ressaltou que o cenário atual representa o oposto do momento inicial de busca pela luz do sol e pela transparência institucional.
O ministro destacou que a transformação vivenciada pela magistratura é contínua e demanda um novo posicionamento. Ele pontuou que o Judiciário passou por uma mudança profunda em sua relação com a opinião pública ao longo das últimas décadas.
Ao encerrar sua fala no congresso, o presidente eleito do STJ defendeu a necessidade de um ajuste de conduta para equilibrar a atuação profissional e a vida pública. Segundo ele, a trajetória atual busca encontrar um "meio-termo" para a categoria.
Salomão reforçou que o objetivo desse equilíbrio é evitar tanto a opacidade excessiva quanto o envolvimento desnecessário de magistrados em temas alheios às suas funções oficiais, buscando uma postura adequada à era da informação.
