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Economia

Alta de juros de longo prazo faz fundos de renda fixa registrarem perdas em junho

Cerca de 170 fundos com foco em títulos atrelados à inflação fecharam o mês no vermelho devido à marcação a mercado

Por Davy Albuquerque

Fundos de renda fixa e de previdência que possuem grande parte do patrimônio investido em títulos públicos atrelados à inflação registraram perdas em junho. O movimento foi causado pela alta das taxas de juros de longo prazo, que reduziu o valor dos papéis por meio da marcação a mercado.

De acordo com levantamento realizado com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Anbima, 170 dos 379 fundos que têm mais de metade do patrimônio em NTN-Bs (Tesouro IPCA+) terminaram o mês no vermelho. A rentabilidade média analisada foi negativa em 0,11%, enquanto o CDI avançou 1,12% no mesmo período.

Por que os fundos perderam valor?

A redução no valor das cotas ocorre devido à chamada marcação a mercado. Esse mecanismo atualiza diariamente o preço dos títulos conforme as taxas de juros do mercado. Quando as taxas de juros de longo prazo sobem, os títulos que já foram emitidos perdem valor de mercado, pois se tornam menos atrativos comparados aos novos papéis que oferecem rendimentos maiores.

O impacto foi maior nos títulos com vencimentos mais distantes. Fundos com datas-alvo em 2050 registraram queda média de 2,84% em junho, enquanto os que miram 2060 recuaram 2,7%. Já os produtos voltados para 2040 apresentaram queda próxima de 2,2%.

O movimento reflete a abertura da curva de juros futuros. Enquanto as taxas de vencimentos curtos foram beneficiadas pelo corte da Selic para 14,25% ao ano, os juros de longo prazo continuaram pressionados por expectativas de inflação e riscos fiscais.

Quais foram os maiores recuos?

O pior desempenho entre os fundos listados foi o do JBFO Juros Ativo Longo, que caiu 3,52%. Outros fundos com retornos negativos expressivos foram o Trend B50 Master e o Previ Renda Fixa Vértice 2050, ambos com perdas de aproximadamente 2,86%.

No segmento de previdência, 48 dos 74 fundos analisados registraram retorno negativo. Na categoria de renda fixa, 122 dos 305 fundos fecharam o mês com resultados abaixo de zero.

O índice IMA-B, que acompanha uma carteira de títulos públicos atrelados à inflação de diversos prazos, recuou 1,04% em junho. O desempenho médio dos fundos analisados (-0,11%) foi ligeiramente superior à queda do índice, indicando que as carteiras perderam menos que o benchmark geral.

O que esperar para o futuro?

O cenário para os próximos meses deve manter a volatilidade e os juros reais elevados. A economia brasileira enfrenta dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública e a persistência da inflação, fatores que podem manter a pressão sobre as taxas de juros.

Para investidores com foco no longo prazo, especialistas indicam que as taxas atuais podem ser atrativas, desde que o investidor respeite o prazo de vencimento de cada papel. Ao manter o título até o fim do contrato, o investidor recebe o retorno originalmente negociado, evitando o impacto das oscilações de curto prazo causadas pela marcação a mercado.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.